Do consultório aos lubrificantes corretos ecologicamente
A fabricante de lubrificantes industriais Notox, localizada em Piracicaba, inova com produtos biodegradáveis e atóxicos e já é alvo do interesse de grandes empresas nacionais e estrangeiras.
Ex-dentista, Gustavo Lucchesi é hoje diretor executivo da Notox, fabricante de lubrificantes industriais elaborados com óleo de mamona. No momento, seu empreendimento sofre assédio de duas grandes empresas nacionais e uma estrangeira. O empresário não revela nomes, mas diz que está preparando a entrada do seu empreendimento na maturidade comercial. Hoje, a Notox produz mensalmente cerca de 5 toneladas de produtos. “A perspectiva é crescer anualmente mais de 20% nos próximos cinco anos”, projeta. Devido ao interesse, o empresário também não informa o faturamento do negócio. A Notox nasceu em 2007 dentro da EsalqTec, incubadora da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), em Piracicaba (SP). “Está na hora de sairmos. A incubadora está pequena para nós”, diz.

Gustavo Lucchesi, da Notox: "A perspectiva é crescer anualmente mais de 20% nos próximos cinco anos"
Rumo à mamona
Lucchesi conta que sempre se interessou por inovação. Além de clinicar, ele também foi professor universitário e ajudou a implementar programas de saúde nas cidades de Piracicaba e Limeira. Um dia, soube de uma pesquisa sobre cimento ósseo à base de mamona desenvolvido no campus da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos. “Como eu fazia cirurgia e implante, quis conhecer o produto”, diz. Ao procurar os pesquisadores da universidade, descobriu que já havia empresas envolvidas no projeto.
Mas o interesse de Lucchesi o levou a descobrir uma pesquisa da mesma instituição voltada para a elaboração de óleo de usinagem à base de mamona. “O produto tinha acabado de ser patenteado e o licenciamento estava aberto”, diz.
Em aproximadamente duas semanas, o empreendedor criou nome, logotipo, marca, missão e visão para sua empresa, que nasceu – com CNPJ e tudo – em cerca de duas semanas. No meio dessa maratona, o ex-dentista conseguiu o licenciamento do produto.
Lucchesi também foi bem na busca por capital. “Quando montei a empresa, não tinha recursos próprios. Saí com chapéu na mão procurando um investidor. Tive a sorte de encontrar alguém que acreditou no projeto”, diz, fazendo referência ao seu sócio Clayton Toledo, na época proprietário de uma empresa de comercialização de carnes. “Ele entrou como capitalista e também com coach”.
No final do ano passado, a Notox foi uma das empresas selecionadas para receber recursos do programa Primeira Empresa Inovadora (Prime), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCT). Foram R$ 120 mil. Metade do valor foi recebida e o restante será liberado no meio do ano. Lucchesi já sabe o que fazer com a quantia: “Optamos por investir em uma consultoria ambiental, uma de marketing e outra empresarial”.
Ecológico
O carro-chefe da Notox é o CastorCut, fluido de corte à base de óleo de mamona, biodegradável e não tóxico, destinado a aplicações industriais de usinagem e retificação. A fórmula original, desenvolvida na Escola de Engenharia da USP de São Carlos, foi levemente modificada. São duas as principais vantagens do CastorCut frente a produtos similares à base de petróleo: ele não prejudica o meio ambiente e não coloca em risco a saúde de operadores de máquinas.
Com quatro produtos em seu portfólio, a empresa lançará neste ano um fluido hidráulico e também graxas especiais. “A nossa visão é nos tornarmos um grande competidor no mercado de lubrificantes industriais à base de fontes renováveis”, afirma o empreendedor.
João Paulo Freitas
jpfreitas@brasileconomico.com.br